40m atrás
CEO da Coinbase reconhece fracasso da estratégia de "content coins" da Base; token ZORA despenca 95%
O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, admitiu publicamente na rede X que a aposta da Base em "content coins" ao longo do último ano não funcionou. "Nós erramos; é hora de seguir em frente", escreveu em 13 de julho, em resposta às críticas do usuário @smileyXBT.
A declaração encerra a narrativa que sustentou, por cerca de um ano e meio, a estratégia da Base de incentivar tokens de criadores com base na plataforma Zora. O ativo central desse experimento, o token ZORA, caiu cerca de 95,4% desde o pico. Dados do CoinMarketCap mostram que o ZORA atingiu a máxima histórica de US$ 0,1471 em 11 de agosto de 2025 e recuou para aproximadamente US$ 0,0067.
A crítica que motivou a resposta apontou que a Base passou mais de um ano promovendo agressivamente a plataforma de tokens de criadores da Zora, sem construir uma base defensável de usuários. O autor também afirmou que recursos teriam sido direcionados a projetos fundados por ex-funcionários da Coinbase, deixando muitos participantes "presos". Segundo o The Defiant, a postagem mencionava ainda tokens de criadores divulgados com apoio de investidores como Balaji Srinivasan e do líder da Base, Jesse Pollak.
O histórico do experimento foi marcado por controvérsias desde o início. Em abril de 2025, a conta oficial da Base no X publicou na Zora, e o mecanismo da plataforma gerou automaticamente um token ERC-20. Por ter partido do perfil oficial, muitos usuários interpretaram o ativo como "oficial", levando a capitalização a superar temporariamente US$ 17 milhões antes de despencar mais de 99% em poucas horas.
Mesmo assim, a Coinbase dobrou a aposta. Em julho de 2025, rebatizou sua carteira como Base App e integrou as ferramentas de tokens da Zora ao feed social do aplicativo. A criação diária de novos tokens disparou, e a Base chegou a ultrapassar a Solana como a rede com maior volume de lançamentos de novos tokens.
O entusiasmo perdeu força no fim do ano. Em dezembro de 2025, até defensores dentro da comunidade da Base passaram a abandonar a tese de "content tokens". Um exemplo citado foi o token de criador do jornalista Nick Shirley, que caiu cerca de 80% em dois dias após o lançamento, episódio visto como um marco de quebra de confiança. Em fevereiro de 2026, a Zora lançou seu produto mais recente, "Attention Markets", na Solana, e não na Base, movimento interpretado por parte da comunidade como sinal de recuo.
Embora tenha reconhecido o erro, Armstrong rebateu as críticas à atual ênfase da Base em agentes de IA. Após @smileyXBT sugerir que a Base estaria repetindo o comportamento de perseguir modas, Armstrong afirmou discordar e sustentou que as prioridades sempre foram "trading, pagamentos e agentes — nessa ordem". Segundo ele, as três frentes são "inseparáveis", com a maior parte dos recursos hoje dedicada à infraestrutura de negociação.
O roadmap de 2026 da Base, divulgado em março, lista trading, pagamentos, stablecoins e agentes de IA como prioridades centrais. No lado de produto, a Coinbase lançou o protocolo de pagamentos x402, desenvolvido e aberto em colaboração com Microsoft, Google e Mastercard, além da plataforma "Coinbase for Agents", anunciada em junho, que permite que assistentes de IA se conectem às contas dos usuários para executar operações e pagamentos. A maior parte do volume transacionado no x402 é liquidada na Base.
Sinais de mudança já haviam aparecido em janeiro, quando Jesse Pollak afirmou publicamente que o Base App estava "parecido demais com um app web2 tradicional" e que a equipe precisava voltar a priorizar trading.
A Base segue como a maior rede Layer 2, mas ainda é incerto se a guinada para transações será suficiente para recuperar usuários. O TVL da Base caiu de cerca de US$ 5,3 bilhões em janeiro para aproximadamente US$ 3,9 bilhões em meados de fevereiro, uma redução de cerca de US$ 1,4 bilhão. Dados do CoinGecko apontam TVL atual em torno de US$ 4,58 bilhões, mantendo a Base na liderança entre as L2.
No nível corporativo, a Coinbase reportou queda de 31% na receita do último trimestre, para US$ 1,41 bilhão, com volume de negociação à vista recuando 37%. Se a Base conseguirá reengajar o público afetado pela estratégia de "content coins" tende a ser um ponto de atenção no próximo ciclo de resultados. A Coinbase espera divulgar os números do segundo trimestre nas próximas semanas.
Para o mercado, a admissão de Armstrong tem peso simbólico: no setor cripto, é comum que projetos mudem de direção em silêncio após experimentos fracassarem. Para detentores de ZORA, a mensagem veio tarde — o erro pode ser reconhecido, mas isso não reverte a queda do token.