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Traders de Treasuries se preparam para maior volatilidade na curva de juros com incerteza sobre o Fed
Investidores de títulos do Tesouro dos EUA se preparam para semanas de forte oscilação. A combinação de incerteza sobre o Federal Reserve, oferta elevada de Treasuries e uma sequência de divulgações econômicas relevantes aumenta o risco de movimentos amplos em toda a curva de juros, do curto prazo ao título de 30 anos.
O rendimento do Treasury de 30 anos permanece acima de 5% há 55 dias em 2026, o período mais longo nesse patamar desde 2006. No início de setembro de 2026, o yield do Treasury de 10 anos está em torno de 4,78%, enquanto o de 2 anos gira perto de 4,37%. O de 30 anos, foco principal da apreensão, está por volta de 5,24%.
Os spreads também refletem o ambiente de incerteza: a diferença 2s10s está em aproximadamente 41 pontos-base, e o spread entre 3 meses e 10 anos é maior, em 87 pontos-base.
Parte da turbulência é estrutural e parte está ligada à condução do Fed sob o presidente Kevin Warsh. Desde que assumiu no fim de maio de 2026, Warsh orientou o banco central a uma postura rigidamente dependente de dados, com bem menos sinalização antecipada do que o mercado vinha recebendo em gestões anteriores. Como resultado, a volatilidade implícita em opções de juros de curto prazo avançou.
A possibilidade de uma alta já em setembro ganhou força após declarações de Warsh em 28 de agosto, que sacudiram os preços e reacenderam o debate sobre o próximo encontro do FOMC. O yield do Treasury de 10 anos chegou a passar brevemente de 4,8%, e as probabilidades de alta de juros subiram para cerca de 50% ou mais.
Nesse contexto, os relatórios do mercado de trabalho previstos para a próxima semana tornam-se decisivos. Uma leitura forte de emprego pode inclinar a balança para um aperto em setembro; sinais de fraqueza podem retirar a alta da mesa.
Do lado da oferta, a pressão vem de vários canais. A emissão de dívida corporativa soma US$ 1,68 trilhão até agosto de 2026, alta de 27% em relação ao mesmo período do ano passado. Uma parcela relevante está associada a investimentos de capital ligados à inteligência artificial, com empresas acelerando projetos de data centers, compras de chips e infraestrutura para competir na corrida da IA.
Esse volume corporativo se soma a uma emissão já pesada de Treasuries, com o governo dos EUA financiando déficits fiscais elevados. Em alguns momentos, apareceu a dinâmica de "bear flattening", quando os yields longos sobem, mas os curtos avançam ainda mais. Em outros, a curva chegou a empinar, conforme o mercado alternava o foco entre dados e falas do Fed.
O que eleva o risco nas próximas semanas é a concentração de gatilhos em uma janela curta: reunião do FOMC, dados de trabalho e o calendário contínuo de emissões corporativas.