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Relatório do JPMorgan: gastos de capital em IA podem chegar a US$ 1,2 trilhão; crescimento de receita das big techs de nuvem acelera
Escrito por: Rita
O lucro por ação (EPS) do S&P 500 deve alcançar US$ 365 em 2026 e US$ 420 em 2027. O JPMorgan elevou sua meta de fim de ano para o índice de 7.800 para 8.000. As estimativas constam do mais recente relatório de atualização de mercado da equipe de estratégia de ações dos EUA do banco, com a temporada de balanços do 2º trimestre (Q2) reforçando o cenário.
Entre as empresas do S&P 500 que já divulgaram resultados, 87% reportaram lucros e 78% superaram as expectativas; o crescimento de lucros chegou a 53%. Para o JPMorgan, a leitura principal está em uma mudança mais sutil: a relação entre investimento (capex) em IA e monetização começa a melhorar. A cobertura de pedidos entre os gigantes de nuvem avança e a relação entre carteira (backlog) e capex aumenta, sinalizando que a monetização pode passar a crescer mais rápido que os desembolsos. O banco avalia que este é um dos quadros fundamentais mais fortes desde a crise financeira de 2008. Mesmo com o P/L estável em 20, revisões altistas de lucro seriam suficientes para sustentar um preço-alvo mais elevado.
Gastos de capital em IA: depois de US$ 900 bilhões, US$ 1,2 trilhão
Dados do JPMorgan indicam que o capex ligado a IA deve chegar a cerca de US$ 900 bilhões em 2026, alta de 85% ano a ano. Até o fim de 2027, o volume superaria US$ 1,2 trilhão. Como referência, desde o lançamento do ChatGPT no fim de 2022, o capex acumulado em IA soma apenas US$ 233 bilhões. Isso implica que os investimentos dos próximos dois anos seriam quase dez vezes o total dos últimos quatro anos.
O JPMorgan projeta que os hyperscalers liderem o movimento, respondendo por aproximadamente 87% do capex total em IA em 2026 e 2027. Para o S&P 500 como um todo, o capex deve somar US$ 1,5 trilhão em 2026, com empresas ligadas a IA já representando 59% do total, participação ainda em expansão.
A escalada do capex pressiona o fluxo de caixa livre. A diferença entre lucro líquido e fluxo de caixa livre dos hyperscalers se ampliou para US$ 430 bilhões, com lucro líquido em cerca de US$ 599 bilhões e fluxo de caixa livre de apenas US$ 169 bilhões. No fim de 2023, os dois estavam aproximadamente equilibrados, em torno de US$ 240 bilhões. O banco espera que a maioria dos hyperscalers, com exceção da Microsoft, mantenha fluxo de caixa livre negativo até 2026 a 2027.
Ganhos em private placements inflaram os lucros do trimestre
O crescimento de 53% no lucro do Q2, segundo o JPMorgan, precisa ser ajustado. Google e Amazon reportaram lucros líquidos GAAP de US$ 112 bilhões (+220%) e US$ 63 bilhões (+216%), respectivamente, impulsionados principalmente por ganhos não realizados com investimentos em private equity. O Google registrou cerca de US$ 99 bilhões em um único trimestre e a Amazon, aproximadamente US$ 53 bilhões.
O movimento teria sido influenciado, em grande parte, pela rodada Série H da Anthropic em maio, de US$ 65 bilhões, que avaliou a empresa em US$ 965 bilhões. Somados, os ganhos não realizados apenas de Google e Amazon chegaram a US$ 152 bilhões, contribuindo com cerca de US$ 14 para o EPS do S&P 500 no Q2. Considerando também o 1º trimestre, a contribuição no 1º semestre fica em torno de US$ 18, equivalente a 6% do crescimento de lucro esperado para o ano.
O JPMorgan destaca três características desses ganhos: não geram caixa, não são sustentáveis e tendem a aumentar a volatilidade, especialmente com IPOs. Excluindo esse efeito, o crescimento de lucros do S&P 500 no Q2 teria sido perto de 31%, abaixo dos 53% aparentes. O EPS normalizado para 2026 é estimado em cerca de US$ 347 (+28%), em vez de US$ 365.
Backlog e receita de nuvem avançam
No Q2, o crescimento de receita em nuvem superou expectativas de forma generalizada: a AWS avançou 37% na comparação anual, o ritmo mais forte em 18 trimestres; o Azure cresceu 43%; e o Google Cloud registrou expansão recorde de 82%.
A carteira de pedidos também acelerou. O backlog do Google Cloud aumentou US$ 55 bilhões no trimestre, para US$ 514 bilhões. O backlog da AWS subiu 36% no trimestre, para US$ 496 bilhões, quase 2,5 vezes maior ano a ano. A Microsoft não divulgou dado equivalente, mas a administração afirmou que a demanda por Azure segue acima da oferta, com novas capacidades sendo monetizadas rapidamente.
O JPMorgan acompanha dois indicadores para medir a eficiência de monetização da IA: a relação backlog/capex e a taxa de atendimento de pedidos (order fulfillment). Ambos vêm melhorando, sugerindo maior cobertura e aceleração da monetização em direção ao ritmo de investimento. A administração da Amazon destacou que o payback de investimentos em servidores e equipamentos de rede é inferior a três anos (com vida útil de cinco a seis anos), enquanto ativos de data centers têm vida útil superior a 30 anos e suportam múltiplas gerações de servidores.
Retorno do investimento em IA preocupa menos; fluxo de caixa segue sob pressão
O banco vê arrefecimento nas dúvidas sobre o retorno da IA, mas mantém a avaliação de que o fluxo de caixa livre ainda sofre com a intensidade de capex.
Reembolsos tarifários: ganho pontual; consumo segue em formato K
A decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas sob a IEEPA abriu caminho para reembolsos fiscais a empresas. O JPMorgan estima o total em cerca de US$ 166 bilhões, com aproximadamente US$ 80 bilhões efetivamente devolvidos até junho. Mais de 60 empresas do S&P 500 relataram ou mencionaram impacto positivo, somando cerca de US$ 5 bilhões em benefícios divulgados.
Os ganhos se concentraram principalmente em não cíclicos (Ford: US$ 1,3 bilhão; Nike: US$ 986 milhões; Amazon: US$ 600 milhões; General Motors: US$ 500 milhões; Tesla: US$ 200 milhões) e em industriais. A grande maioria das companhias caracterizou o efeito como pontual e não recorrente. Oito empresas elevaram guidance de EPS, margem ou fluxo de caixa em função dos reembolsos. Outras não incorporaram o impacto nas projeções por incerteza quanto ao cronograma de devolução.
O JPMorgan espera que a alíquota efetiva de tarifas permaneça dentro de uma faixa, com impacto relativamente modesto no nível do índice.
No consumo, a divisão permanece. Famílias de baixa renda seguem pressionadas por inflação e alta do petróleo, com carrinhos menores, migração para marcas próprias e produtos de valor, além de maior sensibilidade a promoções. Já o consumo de alta renda continua resiliente, com demanda forte por destilados, alimentos premium, viagens e hospedagem, jogos de luxo e colecionáveis. Varejistas de desconto e clubes de compras por associação seguem fortes em diferentes faixas de renda. A recuperação em formato K não mudou.
Receita de nuvem acelera; ganhos de marcação a mercado não se sustentam
Os dados mostram aceleração de receita de nuvem, expansão de backlog e melhora de cobertura de pedidos. Ainda assim, parte relevante do crescimento de 53% do lucro no Q2 veio de ganhos de marcação a mercado em investimentos de private equity, desencadeados pela rodada recente da Anthropic, sem relação com melhorias operacionais. A IA reflete demanda real, mas os ganhos contábeis embutidos nesses números não são sustentáveis.
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Este texto reúne e interpreta um relatório de corretora de terceiros (JPMorgan, 9 de agosto de 2026) e informações públicas de mercado, compilado pela Chaoxiang Research. Ratings, preços-alvo, projeções de lucros e demais avaliações citadas refletem exclusivamente a visão dos analistas e da instituição responsável, não representando a opinião da Chaoxiang Research nem constituindo recomendação de investimento. O mercado envolve riscos; decisões devem ser tomadas de forma independente. Este material não deve servir de base para compra ou venda de valores mobiliários.